Lua sangrenta
Um microconto e uma nova lenda.
Ultir era uma aldeia costeira. Diversos viajantes passavam por ali todos os dias. A tarde era abraçada por um céu cinzento. Um estranho tinha chegado, sentou-se calmamente num banco de madeira apodrecido e ali ficou. Ultir era rodeado de majestosas montanhas. Ao chegar a noite o chão estremeceu. Um pequeno monte de terra coberto de erva se mexeu. Um rugido cortou o silêncio. Os aldeões na sua maioria saíram à rua tentando perceber o que acontecia. Muitos outros se esconderam em casa. Daquele monte que sempre passava despercebido ergueu-se uma criatura de pedra. De pedra pura, sem rosto e coberto de terra e erva. Um ser conhecido por golem. Olhando Ultir, o golem preparou-se para investir sobre a aldeia. O estranho tirou ao chão um manto de tecido velho. Olhou a criatura que corria rapidamente entre grandes árvores. Desembainhou a espada e investiu sobre ela. Um som se fez no embate entre ambos. O som de ferro sobre pedra era tudo o que se percebia da luta entre o estranho e o golem. Após alguns minutos e golpes secos, a criatura se desfez. O estranho virou-se para Ultir e com os olhos vermelhos e um sorriso malicioso, gritou tão alto quanto conseguiu.
– Cidadãos de Ultir, chegou a vossa hora.
Agora aquele estranho dava lugar ao golem investindo sobre Ultir. Começou a mover a espada em rápidos golpes tirando a vida de qualquer um que se cruzasse com ele. Havia sangue, membros despedaçados pelo chão. No alto, a lua tão vermelha como sangue, cobria Ultir com cores que dançavam junto com os corpos jogados pelo chão e assim, Vanossir o espadachim saciou a sua sede de sangue.
